Minha ação por uma Infância Sem o Racismo



Quando decidi montar um blog sobre minha experiência de mãe nova e solteira, confesso que não imaginava que havia tantos blogs de mães relatando e compartilhando com um mundo inteiro suas ansiedades, medos, descobertas e desejos nesse universo tão mágico que é a maternidade. Um dos blogs que visitei que parece ser super pop é o Desabafo de mãe que concentra grandes discussões, não raros seus textos servirem de referências para muitos outros textos nessa chamada “blogosfera materna”.

Hoje fui dar uma olhada e vi uma campanha sobre racismo, em que o blog sugeria uma postagem coletiva entre os blogs maternos sobre esse tema. Então, aqui vai minha contribuição.

Sou branca. Muito branca. Branca de conseguir ver minhas veias e no sol me torno um camarão cheio de bolhas (insolação já tive umas cinco). Meu cabelo é claro e olhos castanhos, mas minha pele é branca leite integral. Tenho uma irmã, a Renata que é cinco anos mais velha do que eu. Todas as pessoas que nos conhece diz que somos iguais, quase gêmeas, se não fosse uma diferença, eu sou branca e ela preta. Preta não, mais morena.

Minha querida irmã não é nem de longe negra, morena sim, mas o seus cabelos, são crespos e isso faz dela ser negra.

O que faz um cabelo ser diferente? O que uma pele nos faz ser diferente? Acredito que Deus nos tenha feito segundo Sua imagem e semelhança e Ele nos fez brancos, negros, pardos. Graças a Ele, minha bisavó que era índia conheceu meu bisavô que era branco e juntos tiveram minha avó que nasceu branca, que casou com meu avô moreno que nasceu minha mãe branca, que casou com meu pai ruivo que nasceu eu branca e minha irmã morena e todos nos amamos. Sabe porque? Porque não vemos as cores de pele, se o cabelo é liso, crespo ou rebelde, nos só nos amamos.

Passar para nossos filhos que a cor da pele é diferente sim, porque existe uma coisa chamada genética e tem o “azão” e o “azinho”, gene recessivo e dominante e que como os olhos podem ser azuis, verdes, mel ou cinzas existem cores de pele diferente. E isso não faz da pessoa ser melhor nem pior, nos torna seres iguais. Deus nos ama assim, porque Ele quis assim.

O mundo já está tão difícil de viver e conviver. Em 2011 a gente já viu cidades sendo destruídas por chuvas, ondas gigantes arrasando cidades depois de um terremoto, um governante maluco que mata qualquer pessoa que queira ser contrário a ele, e a gente se preocupando se a pele é branca, amarela, rosa, azul ou lilás.

Por ser mais velha e meus pais sempre trabalharem fora, quem cuidou de mim quando pequena era minha irmã e ela dizia que eu tinha sangue azul, que eu não era filha dos meus pais. Eu algumas vezes cheguei a me cortar para provar que meu sangue era vermelho como o dela, mas ela insistia “é, eu tinha razão, é azul”. E eu sofri com isso, afinal, porque eu tinha o sangue diferente do dela, será que eu era anormal. Mais tarde, quando íamos dormir, ela me colocava na cama e dizia “eu te amo, você é minha rimã de coração e sanguinho”. E eu ficava tão feliz, porque mesmo tendo sangues diferentes, ela me amava de coração e sanguinho. Eu esquecia da cor azul do meu sangue e dormia em paz.

Temos cores de pele diferentes sim, mas isso não nos torna diferente de coração. Vamos conviver, respeitar e amar cada pessoa como ela é de coração, sanguinho e pele!  


Um comentário :

  1. Marcella, que post delicioso, lindo e singelo. Parabéns! virou quase uma poesia de cor diferente e sanguinho igual. Ou cor diferente e coração ligado. Vc tem razão é tudo uma questão de amor. E amor exige conhecimento profundo. Qdo a gente amplia o olhar descobre que amar o outro, o diferente, é o mais legal dessa terrinha. Abraços e parabéns. adorei!

    ResponderExcluir

Copyright © 2013 Mamãe de Salto - Layout Personalizado por Giselle Carvalho