Da descoberta à criação





Logo após a confirmação de que eu estava grávida, minha única preocupação, naquele dia, foi como minha sogra iria reagir quando o papis (que naquele momento era namorado) contasse a novidade. Era uma quarta-feira, fria e chuvosa aqui em Curitiba e minha mãe e irmã tinham horário no salão naquela tarde e, enquanto elas cuidavam nas madeixas, lembro-me de ter ficado sentada numa cadeira sem pensar, sem olhar, sem sentir, sem viver absolutamente nada, eu apenas esperava meu namorado me ligar ou mandar um mensagem dizendo “Já contei e está tudo bem”. De certa forma, isso realmente aconteceu, mas pela imaturidade ou mesmo porque deveria ser assim, meu namorado me ligou e falou “Já contei, ela disse que imaginava que isso iria acontecer algum dia, mas ela perguntou se é mesmo verdade, afinal, um exame de farmácia pode dar negativo, ela quer o exame de sangue”. Confesso que naquela hora, naquele momento, tudo estava tão ruim, tão horrível, tão podre que mais esse comentário não mexeu na estrutura, mas foi depois, foi no dia seguinte que o peso das palavras caíram sobre minha cabeça e eu tive vontade de morrer e matar, tudo junto e bem misturado.


Meu pai, pois bem, lembro-me que meu pai no dia da descoberta, nos encontrou no shopping (o salão era dentro do shopping), me abraçou, me beijou e disse “eu te amo”. Isso bastou e foi tudo, tudo o que ele fez por mim e para mim até o novo ano começar, afinal, até o dia primeiro de janeiro de dois mil e nove, meu pai sequer me olhava, quem dirá dar OI, um beijo, abraço e dizer, novamente, eu te amo.

Como eu trabalhava com a minha mãe desde os treze anos e, com uns dezoito comecei a receber um salario mínimo, quando soubemos da gravidez, decidimos que eu não receberia mais o salario em dinheiro, e sim, como enxoval para mim e para a princesa, afinal, o enxoval sairia muito mais caro mensalmente do que R$500,00, aproximadamente.

O papai/namorado estudava e ganhava uma mesada para as despesas de um jovem: combustível, roupas, comida, eletroeletrônicos. Quando digo que eu era, e nesse momento incluo papis/namorado, irresponsável, imaturo e idiota, era justamente por isso: nós vivíamos como adolescentes, engravidamos e, nossa mentalidade continuou assim! Em nenhum momento, meu namorado assumiu a posição de homem da situação e decidiu arcar com os custos e despesas da nossa filha. Ele assumiu a responsabilidade de ser pai, e sei que isso é um ótimo passo, mas nada além disso! Por isso, as despesas comigo e com nossa filha, foram todas arcadas pelos meus pais: desde ecografias até enxoval, passando por um parto particular.

Tudo isso, foi vivido em apenas dois dias, do descobrimento na quarta-feira à confirmação na sexta-feira por uma ecografia. Alias, uma confirmação que me dava a data para que isso tudo terminasse: seis de fevereiro. Foi dois dias após um exame de farmácia que eu descobri que dentro de mim havia uma menininha com 32cm e 850g!

Eu não tinha muita noção das coisas que eu iria viver e experimentar a cada dia! Na verdade, eu ainda não sabia nem o que estava acontecendo comigo. Não sei explicar, mas eu assumi um papel de total submissão, pois enxergava que tudo e todos estão caminhando para o infinito e além e eu engravidei, então, de certa forma, eu precisei desviar o foco da vida de todos.

Eu não perguntei, não procurei nem pesquisei, eu deixei a vida me levar. De certa forma, eu sabia que um dia Sophia iria nascer, pois eu tinha um obstetra que iria me auxiliar. Se eu tivesse dilatação seria parto normal, senão tivesse dilatação, seria parto cesárea; Se tivesse leite eu amamentaria, se não tivesse daria mamadeira e leite em pó. Tudo muito simples e prático, afinal ... ser mãe é tão normal!

O tempo foi passando e eu fui descobrindo que quando engravidamos, todos os dias é dia de aprender, compreender, ensinar, compartilhar e viver, pena que eu descobri isso dois anos depois que Sophia nasceu, quando algumas das minhas muitas dores começaram a ser saradas. Foi então que nasceu a ideia de criar um espaço para compartilhar minhas (des)venturas, desde o descobrimento até o os dias de hoje.

Daqui alguns dias, terei a felicidade de celebrar o aniversário do Mon Maternité, meu espaço, meu divã, minha aula, minha escola, meu terapeuta ... e, dias depois, o aniversário da Sophia, minha princesa, meu mundo, meu sentido de viver!

Garanto para vocês que teremos novidades, muitas boas novidades!

Posso continuar contando com você?!? EBA!!! \o/

Beijos, Má

5 comentários :

  1. Tatiane Rosa Domingues27 de janeiro de 2013 11:34

    Que lindo ler sua historia de muitas superações. O seu blog é uma graça! Parabéns por tornar ele um espaço agradável de visitar. Um grande beijo e sucesso para sempre.

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  2. nosa que lindo adoreei mesmo,muito bem explicado e ja estou seguindo só pelo primeiro post que li,parabeeens tbm tenho um filho ele vai fazer 1 ano da uma passadinha no meu blog seria uma honra para mim beijos http://keciamoura.blogspot.com.br/

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  3. nossa que lindo adoreei mesmo,muito bem explicado e ja estou seguindo só pelo primeiro post que li,parabeeens tbm tenho um filho ele vai fazer 1 ano da uma passadinha no meu blog seria uma honra para mim beijoshttp://keciamoura.blogspot.com...

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  4. Lindo depoimento Marcella! Adorei conhecer vc mais um pouco... bjs

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  5. Marcella, amei seu depoimento!! Adorei conhecer mais da sua história
    Beijos
    Lilia

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